A proibição do uso de celulares na escola e os desafios da educação no mundo digital
Por Juliana Lima - Vice-diretora Pedagógica
Por Juliana Lima - Advogada e Vice-diretora administrativa
Foi sancionada a Lei Federal 15.100/2025, que, juntamente com a Lei Estadual 18.058/2024, estabelece a proibição do uso de aparelhos eletrônicos de uso pessoal, inclusive celulares, em todo o ambiente escolar, durante todo o período em que o estudante permanecer na escola, ou seja, não só durante a aula, mas também nos intervalos, recreação ou atividades extracurriculares.
O objetivo é melhorar a concentração e o rendimento acadêmico dos alunos, além de priorizar a interação social e não o isolamento. No entanto, essa legislação tem gerado debates importantes sobre a relação entre tecnologia e educação.
A nova lei, de âmbito nacional, estabelece que os estudantes não devem utilizar dispositivos móveis durante o período em que estiverem na escola, exceto quando o uso for solicitado ou autorizado pelo professor para atividades pedagógicas específicas. O objetivo principal é minimizar as distrações causadas pelo uso inadequado de smartphones, garantindo que o foco esteja nas atividades escolares.
Com efeito, existem muitos aspectos positivos nisso. Sabemos que o uso de aparelhos celulares ou outros eletrônicos similares tem sido cada vez mais frequente entre crianças e adolescentes, e cada vez mais cedo as crianças tem tido acesso a esses dispositivos. Para além dos prejuízos cognitivos que o uso excessivo de telas pode trazer, o fato é que o vício em jogos e redes sociais tem prejudicado a concentração e a interação social, tanto em adultos como em crianças e adolescentes.
Diversos estudos realizados em outros países que já implementaram essa restrição apontam a melhora da concentração e produtividade dos alunos quando estão longe de seus celulares. Além disso, ao deixar o celular de lado, o estudante tem a oportunidade de desenvolver habilidades sociais por meio da interação com os colegas e professores, promovendo um ambiente mais colaborativo e menos dependente de tecnologia para a comunicação. É sabido também que a redução do uso de telas auxiliam no controle da ansiedade e estresse, relacionados ao intenso uso de jogos virtuais, mídias sociais e constantes notificações.
Entretanto, não podemos negar que vivemos em um mundo digital, e não podemos deixar de lado o aprendizado sobre novas tecnologias, sob pena de criarmos alienados digitais, em detrimento do desenvolvimento de habilidades essenciais para o século XXI.
Não por outro motivo, a legislação prevê, como exceção à regra, a possibilidade do uso dos aparelhos eletrônicos para finalidades exclusivamente pedagógicas, de modo que nessas situações, em horário e com finalidade específica, será permitido o uso dos celulares pelos alunos. Nesses momentos, continuaremos oferecendo um ambiente virtual seguro para nossos estudantes, com controle e monitoramento de acesso.
Além disso, aqui no Colégio Helios nós desenvolvemos estratégias alternativas para a formação de alunos digitalmente capacitados, incluindo em nossos projetos aulas sobre cidadania digital, abordando o uso ético e seguro da internet, combate às fake news e cuidados com a privacidade online, além da conscientização sobre o tempo de tela e o uso equilibrado da tecnologia. O uso dos projetores em sala de aula também é um recurso que viabiliza a proximidade dos estudantes com a tecnologia como ferramenta pedagógica, tornando as aulas mais interativas e interessantes.
Dessa forma, vemos a nova lei como uma oportunidade para refletirmos sobre o papel dos celulares não só no ambiente escolar mas na vida das crianças e adolescentes e a importância de uma educação que valorize tanto a concentração e o foco quanto o desenvolvimento de habilidades digitais, sem deixar de lado a importância de vivenciar e sentir o mundo real, preparando nossos jovens cidadãos para os desafios do futuro com uma formação básica forte o suficiente para suportá-los.
Setembro Amarelo: Saúde Mental
Por Talita Rípoli - Psicóloga e Thais Lima - Mestre em Gestão em Educacional
Por Talita Rípoli - Psicóloga e Thais Lima - Mestre em Gestão Educacional
Setembro é o mês da campanha anual da conscientização sobre a saúde mental e prevenção ao suicídio. É de extrema importância trazer luz ao assunto, afinal, cuidar da nossa saúde mental é fundamental para que possamos viver uma vida funcional, cuidando do nosso bem estar emocional, psicológico e social.
Para que possamos refletir sobre a importância da saúde mental em nossas vidas é indispensável compreender o que isso significa de verdade. O que é saúde mental? Existe relação entre a saúde física e mental? O que é ter uma vida funcional? Por que isso é importante? Quais são os problemas que podemos desenvolver se não estivermos atentos a esses fatores?
A saúde mental refere-se ao bem-estar emocional, psicológico e social de uma pessoa. Ela afeta como pensamos, sentimos e agimos ao lidar com a vida. A saúde mental também influencia a forma como lidamos com o estresse, nos relacionamos com os outros e tomamos decisões. Ter uma boa saúde mental não significa a ausência de problemas ou desafios, mas sim a capacidade de enfrentá-los de maneira positiva e produtiva.
Problemas de saúde mental podem influenciar comportamentos de risco, como alimentação inadequada, falta de atividade física, abuso de substâncias e não aderência a tratamentos médicos, o que pode causar problemas em nossa saúde física. Por outro lado, a prática de atividade física regular está associada a uma melhor saúde mental. O exercício libera endorfina - conhecida como hormônio da felicidade, que ajuda a melhorar o humor e reduzir sintomas de depressão e ansiedade.
Portanto, saúde mental e saúde física estão profundamente interligadas e devem ser abordadas de maneira integrada para garantir o bem-estar geral. Cuidar de uma geralmente resulta em benefícios para a outra, esse é o caminho para se ter uma vida funcional, saudável.
Como a saúde mental afeta diretamente a maneira como lidamos com os problemas, a nossa capacidade de nos reconhecermos, nos expressarmos tomar decisões e gerenciar emoções de forma mais saudável, é importante também nos atentarmos para como nos enxergamos, ter uma visão mais positiva sobre nós mesmos, fazendo a manutenção do auto conhecimento e auto estima. Isso faz bastante diferença na tomada de decisões e no conhecimento das habilidades de recuperação e adaptação em situações estressantes e desafios do nosso dia a dia, que são inevitáveis e imprevisíveis.
A maneira como nos relacionamos com as pessoas em nosso meio social e em como tomamos decisões pode interferir muito na maneira como nos sentimos, afinal ter relacionamentos mais saudáveis nos proporciona uma melhor qualidade de vida.
Problemas de saúde mental podem se manifestar de diversas formas e muitas vezes podem ser negligenciados por quem sente, uma vez que não são visíveis aos olhos, são apenas sentidos. Além disso, poucas pessoas reconhecem esses sentimentos como sintomas, muitas vezes eles podem ser confundidos com situações cotidianas, ou até mesmo interpretadas como fraqueza de quem sente.
Quando não tratados, alguns transtornos podem ser desenvolvidos, e estes podem afetar significativamente a qualidade de vida e funcionamento de uma pessoa, alguns deles são ansiedade, estresse e depressão.
Quando identificadas, a busca por ajuda é fundamental. A saúde mental não está só relacionada com a saúde física, elas estão interligadas, afinal nosso cérebro também é um órgão e precisa de cuidados como qualquer outro. Não temos dúvidas de que quando quebramos um osso, procuramos logo por um médico ortopedista, e depois, na sequência do tratamento, buscamos outro profissional importante, o fisioterapeuta, pois cada um com sua especialidade contribui de forma muito clara e fundamental em nossa recuperação. Mas e quando temos um problema de saúde mental? Que profissionais podem nos ajudar?
Falaremos sobre eles em nosso próximo texto, não percam, nos vemos em breve.